Retrofit do Hotel La Roza: transformando uma residência em um empreendimento hoteleiro

 

A adaptação de edificações existentes para novos usos tem se consolidado como uma estratégia eficiente para valorização imobiliária, sustentabilidade e aproveitamento da infraestrutura urbana já instalada. O projeto do Hotel La Roza é um exemplo de como o retrofit pode transformar uma construção residencial em um empreendimento hoteleiro moderno, funcional e alinhado às exigências técnicas atuais.

Localizado próximo ao Beto Carrero World, o imóvel possuía originalmente uso predominantemente residencial, distribuído em três pavimentos e aproximadamente 600 m² de área construída. Durante anos, a proprietária residiu na edificação, enquanto o pavimento térreo era destinado à locação comercial. Com o fortalecimento do turismo regional e a crescente demanda por hospedagem, surgiu a oportunidade de transformar o imóvel em um hotel de pequeno porte.

Embora a estrutura existente apresentasse boas condições construtivas, a mudança de uso exigiu uma profunda revisão dos sistemas prediais, adequações normativas e reconfiguração dos espaços internos. Afinal, uma residência e um hotel possuem exigências técnicas completamente distintas.

Reorganização dos espaços e ampliação da capacidade de hospedagem

O estudo arquitetônico teve como principal objetivo otimizar os espaços existentes para aumentar a capacidade de hospedagem sem comprometer o conforto dos usuários.

A redistribuição dos ambientes permitiu a implantação de 10 apartamentos, incluindo unidades voltadas para famílias, além de um quarto acessível localizado no pavimento térreo. A criação de novos dormitórios exigiu a construção de banheiros privativos, adequações hidráulicas, novas prumadas de abastecimento e esgotamento sanitário, bem como a compatibilização das instalações com a estrutura existente.

Cada ambiente foi cuidadosamente planejado para garantir ventilação, iluminação natural, conforto acústico e funcionalidade, requisitos fundamentais para a operação hoteleira.

Modernização da infraestrutura elétrica e tecnológica

Um dos maiores desafios do retrofit foi a atualização completa da infraestrutura elétrica.

Originalmente dimensionada para uso residencial, a instalação existente não possuía capacidade para atender às demandas de um hotel, que exige climatização individual dos quartos, aquecimento de água, sistemas de segurança, equipamentos operacionais, iluminação ampliada e infraestrutura tecnológica permanente.

Foi necessária a revisão dos quadros elétricos, redistribuição de cargas, criação de novos circuitos independentes e adequação da entrada de energia para suportar a nova realidade de uso.

Além disso, foi implantada uma infraestrutura específica para sistemas de controle de acesso por portas eletrônicas. Cada apartamento recebeu fechaduras eletrônicas integradas à operação do hotel, demandando cabeamento dedicado, alimentação elétrica e preparação para sistemas de gerenciamento.

Em edificações existentes, a passagem de novos eletrodutos e cabeamentos exige soluções técnicas cuidadosas para minimizar intervenções estruturais e preservar a estética dos ambientes. Por isso, grande parte do trabalho envolveu a compatibilização entre as novas tecnologias e a construção original.

Adequação ao PPCI: segurança como prioridade

A mudança de uso para hotelaria também exigiu a elaboração e aprovação do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI), etapa fundamental para garantir a segurança dos hóspedes e colaboradores.

Diferentemente de uma residência unifamiliar, uma edificação destinada à hospedagem precisa atender a requisitos específicos definidos pelo Corpo de Bombeiros Militar, contemplando sistemas de prevenção, combate e evacuação em caso de emergência.

Entre as adequações realizadas destacam-se:

  • Implantação de sinalização de emergência;
  • Instalação de iluminação de emergência;
  • Adequação das rotas de fuga;
  • Instalação de extintores conforme a classificação dos riscos;
  • Dimensionamento das saídas de emergência;
  • Compartimentações e adequações exigidas pela legislação vigente;
  • Revisão dos sistemas elétricos visando maior segurança operacional.

A compatibilização dessas exigências com uma estrutura já existente demandou estudos detalhados para garantir a conformidade legal sem comprometer a funcionalidade e a estética dos espaços.

Acessibilidade: inclusão desde a concepção do projeto

Outro aspecto fundamental foi a adequação da edificação às normas de acessibilidade.

A hospitalidade deve ser acessível a todos, e por isso o projeto contemplou a criação de um apartamento acessível no térreo, facilitando o uso por pessoas com mobilidade reduzida, idosos e usuários de cadeira de rodas.

As intervenções seguiram os princípios estabelecidos pela norma técnica ABNT NBR 9050, incluindo:

  • Dimensionamento adequado de portas e circulações;
  • Áreas de manobra para cadeiras de rodas;
  • Banheiro acessível;
  • Eliminação de barreiras arquitetônicas;
  • Melhorias nos percursos internos;
  • Adequação dos acessos principais.

Mais do que atender a uma exigência normativa, a acessibilidade foi tratada como um elemento essencial para garantir autonomia, conforto e dignidade aos usuários.

Valorização dos ambientes comuns

Além dos apartamentos, o projeto dedicou atenção especial às áreas compartilhadas.

A sala de café passou por uma completa requalificação, com ampliação dos vãos existentes para favorecer a entrada de luz natural e estabelecer uma conexão visual com a área da piscina. Essa integração contribui para a sensação de amplitude, conforto e bem-estar dos hóspedes.

As cadeiras existentes foram restauradas, preservando parte da história do imóvel e reduzindo o descarte de materiais. Os revestimentos de piso foram substituídos e os acabamentos atualizados, criando uma linguagem contemporânea sem perder a identidade original da edificação.

A área externa também foi reorganizada para incorporar a piscina e espaços de convivência, ampliando a qualidade da experiência oferecida aos visitantes.

Muito além de uma reforma

O Hotel La Roza demonstra que um retrofit bem planejado envolve muito mais do que renovar acabamentos ou modernizar a aparência de uma construção.

A transformação exigiu revisão estrutural, modernização das instalações prediais, adequação às normas de acessibilidade, implantação das exigências de PPCI, ampliação da infraestrutura tecnológica e reorganização completa dos ambientes para atender às demandas da hotelaria contemporânea.

O resultado é uma edificação que preserva o valor da construção existente, reduz impactos ambientais associados a novas obras e atende plenamente aos requisitos de segurança, conforto, funcionalidade e eficiência operacional.

Mais do que uma mudança física, o projeto representa a transformação de um imóvel residencial em um empreendimento preparado para gerar valor, acolher pessoas e atender às necessidades do turismo regional pelos próximos anos.




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